ALFREDO BOULOS JÚNIOR

História da América Latina

Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino
Editora Contexto

O excerto a seguir faz do livro História da América Latina, escrito pelas historiadoras Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino.

Os protagonistas da independência na América

[...] Os exércitos rebeldes contaram com comandantes estrategistas para vencer a guerra. Mas, para que as forças insurgentes se pusessem em marcha, era preciso que pessoas abastadas patrocinassem sua organização. Nesse sentido, os ricos comerciantes da cidade de Buenos Aires financiaram a formação dos primeiros batalhões e, na Venezuela, foram os plantadores de cacau os responsáveis por parte importante de tal financiamento.

Porém, não há exército sem soldados que, por sua vez, deviam estar convencidos de que a causa da independência era a mais justa e necessária para destruir a ordem colonial. Desse modo, “pessoas comuns” dos mais diversos segmentos sociais e étnicos foram indispensáveis para engrossar as fileiras insurgentes, mas suas histórias acabaram esquecidas ou pouco valorizadas. Assim, é importante mostrar tal participação.

As novas ideias que estimularam a independência foram divulgadas por um grupo considerável de letrados provenientes das diversas partes da América. Nos muitos escritos desse período – panfletos, memórias, discursos, jornais – defendiam a independência, demonstrando sólido conhecimento das ideias liberais. Fundamentaram-se nelas para armar suas plataformas de ação e sua justificativa da ruptura com a metrópole.
[...]

Do mesmo modo que os homens ilustrados contribuíram para a independência, [...] negros [...] marcaram sua presença. [...] eles foram os protagonistas centrais nas lutas pela independência do Haiti. Mas também lutaram nas guerras na América do Sul. A eles, em geral, era concedida a alforria, caso se alistassem do lado dos insurgentes. Há muitos exemplos a serem indicados. No Rio da Prata, eles integraram vários batalhões e sofreram pesadas baixas. O mais conhecido foi o “Batalhão Negro de Buenos Aires”, integrante do exército de San Martín, que atravessou os Andes. De um total de 5 mil homens que partiram em direção ao Chile, 1 500 eram negros. [...]

Indígenas e mestiços igualmente participaram das lutas pela independência. No México, os exércitos liderados pelos padres Miguel Hidalgo e José María Morelos contaram com número expressivo de camponeses indígenas e mestiços [...]. do mesmo modo, eles aderiram à rebelião de Cusco de 1814, liderada pelos irmãos Ângulo, que se espraiou desde o sul do Peru até a atual Bolívia. Um exemplo sempre lembrado é o do cacique indígena Mateo Pumacahua, de 75 anos, cujas forças se integraram aos insurgentes. Ele foi preso, condenado à morte e executado em frente de suas tropas.

PRADO, Maria Ligia; PELLEGRINO, Gabriela. História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2014. p. 33-36.

Habilidade da BNCC

(EF08HI11) Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti.